1.000 dólares, meu primeiro hackathon e um dos maiores desafios que já tive como dev.
Criador do Blog e Desenvolvedor FullStack
6 min de leitura
Meu primeiro hackathon, e logo sobre tudo que eu não sabia
14 dias pra aprender web3 do zero e entregar um banco onchain. No fim, 3º lugar na trilha Solana e 1.000 dólares. Mas a história começa um pouco antes.
3º lugar na trilha Solana do Hackanation 2026. Ali ainda não tinha caído a ficha.
Saí de um ideathon querendo mais
Uma semana antes de tudo isso, eu tinha acabado de sair de um ideathon da Rock Innovation com a Google, ali na própria FIAP. Foram duas horas de prova, peguei menção honrosa e saí de lá com uma camisa da Google e com aquela sensação meio chata de quem queria mais.
Era isso que ficava martelando na cabeça. Eu sempre quis participar de um hackathon de verdade e nunca tinha rolado, ou tinha algum impedimento, ou eu via tarde demais e as inscrições já tinham fechado.
14 dias e um tema que me assustou
Aí, mais ou menos nessa vibe, recebi um e-mail da FIAP sobre o TokenNation. Abri sem muita expectativa e vi que tinha um hackathon rolando, o Hackanation. Só que ele já acontecia fazia um mês, e faltavam só 14 dias pra acabar.
Eu nem sabia se ainda dava pra entrar. Quando vi que dava, o medo bateu no segundo seguinte, porque o tema era tudo que eu não conhecia. Blockchain, web3, Solana, RWA. Eu olhava aqueles termos e não fazia a menor ideia de por onde começar, e ainda tinha 14 dias pra aprender aquilo do zero.
Chamei o melhor dev que eu conheço
A primeira coisa que fiz foi chamar o Ph, o melhor dev que eu conheço e o único da minha lista que já manjava de web3 de verdade. Ele topou na hora.
E faço questão de deixar isso claro: eu partia do zero, ele já tinha bagagem. Sem o Ph, nem o start teria sido possível.
O fim do pedágio financeiro
A ideia que ficou de pé foi atacar uma coisa que todo brasileiro sente sem saber o nome. O pedágio financeiro.
De um lado tem quem precisa de dinheiro. Consumidor pagando juro alto, lojista sufocado por taxa de maquininha e por antecipação de recebível. Do outro lado tem quem pode fornecer liquidez. Investidor brasileiro e capital global atrás de rendimento real. No meio dos dois, uma fila cara de intermediário que come os dois lados.
A Kori liga essas pontas direto, com a blockchain como camada invisível. Quem usa o app não precisa saber nada de web3.
A experiência é de banco digital normal, com conta, Pix, cartão, antecipação e investimento. Na prática, o recebível do lojista vira um token onchain, o investidor financia a antecipação e recebe o rendimento real daquela operação, e a liquidação acontece em USDC na Solana. A lógica de pool, escrow e financiamento roda em programas próprios que a gente escreveu em Anchor.
Não vou abrir tudo aqui pra não virar um textão técnico, mas a arquitetura inteira, os parceiros de compliance e os programas publicados na Devnet estão documentados no site da Kori: kori.kc1t.com.
Entender enquanto eu já construía
Aí começou a parte mais intensa. Boa parte desses 14 dias foi tentar entender o que eu tava construindo enquanto eu já construía. Eu lia sobre RWA de manhã e tentava aplicar à tarde.
Tudo aconteceu em paralelo. Aprender web3 do zero, escrever e publicar os programs na Solana, montar o design system e desenvolver o app mobile. Ainda tive que estudar bastante pra adequar a Kori conceitualmente à CVM, às regras do Bacen e a um monte de outra exigência regulatória que eu nem sabia que existia.
Desde os 14 anos, quando comecei a codar, fazia tempo que eu não sentia uma pressão dessas. Voltei a virar noite pra entregar alguma coisa, e isso não acontecia há um bom tempo.
Enviamos faltando 5 minutos
O fim foi no detalhe. A gente queria mostrar o NFC funcionando entre dois celulares no vídeo, então gravou o pitch faltando uma hora pra fechar a janela de envio. Enviamos faltando 5 minutos.
Mais do que o terceiro lugar
A Kori ficou em 3º lugar na trilha Solana e levou 1.000 dólares.
Kori, 3º lugar, 1.000 USDT. No telão do TokenNation.
Vou ser bem honesto: em nenhuma outra circunstância eu ficaria feliz com um terceiro lugar. Segundo melhor sempre me incomodou. Mas essa não foi uma circunstância qualquer.
Foi competir de igual pra igual com gente que tem anos de experiência em blockchain, tendo só 14 dias de web3 nas costas. Foi sair de "não faço ideia do que é Solana" pra um app onchain funcionando, em duas semanas. O prêmio foi ótimo, mas o que mudou o jogo foi tudo que eu vivi pra chegar até ali.
Mergulhei num mundo que nem imaginava que existia e saí com algo de verdade rodando onchain. A experiência valeu tanto quanto o prêmio.
No fim das contas
Foi meu primeiro contato real com web3, e faz tempo que eu não aprendia tanta coisa em tão pouco tempo. Saí de um ideathon de duas horas querendo mais, e uma semana depois eu tava num hackathon de blockchain que virou um banco onchain entregue. A vida dá voltas rápidas quando você se joga.
Obrigado pra Carol pela condução e organização, pros mentores Leandro Mazzetto e Henrique Aragon pela visão de mercado, pro Ph que encarou isso comigo, e pra Solana e TokenNation pelo incentivo e pela oportunidade que me jogaram nesse mundo.
A Kori na imprensa
A Livecoins cobriu o encerramento do TokenNation e os projetos vencedores do Hackanation. Ler a matéria completa →
Explorar a Kori

- Site da Kori — o app rodando, a arquitetura completa e os parceiros de compliance
- Código no GitHub — os programs em Anchor, o frontend e o resto que rodou
- Projeto na Taikai — a submissão oficial do hackathon

